

O crescimento é o objetivo natural de qualquer empreendimento aquícola bem-sucedido. No entanto, a decisão de expandir a produção de peixe ou camarão não deve ser baseada apenas na intuição ou em uma safra lucrativa isolada. O aumento da área alagada ou a intensificação do cultivo trazem consigo novos desafios de manejo, sanitários e financeiros.
Para auxiliar neste momento decisivo, elencamos dez questionamentos técnicos e gerenciais que devem ser respondidos antes de qualquer investimento em infraestrutura.
O aumento da produção não significa, necessariamente, aumento de lucro. Então, é fundamental analisar se o investimento em novos viveiros ou aeradores terá um Retorno sobre o Investimento (ROI) atrativo. Custos fixos podem ser diluídos, mas os custos variáveis aumentarão. Uma análise detalhada do fluxo de caixa projetado é indispensável para evitar gargalos financeiros no meio do ciclo.
Antes de expandir a produção de peixe ou camarão, deve-se garantir o escoamento. A demanda atual da sua região comporta mais toneladas de biomassa? Há contratos firmados com frigoríficos ou atravessadores que justifiquem o aumento? Deve-se considerar previamente a diversificação de canais de venda.
Aumentar a densidade de estocagem sem expandir a área física exige tecnologia. O corpo hídrico receptor e a fonte de abastecimento suportam uma carga maior de nutrientes e matéria orgânica? Estudos, como os propostos por Boyd et al., indicam que ultrapassar a capacidade de carga é o caminho mais rápido para enfermidades e baixa conversão alimentar.
Com maior densidade ou mais viveiros, o risco de propagação de doenças aumenta exponencialmente. Protocolos de biossegurança foram implementados e estão sendo seguidos rigorosamente? A expansão exige um plano de vacinação (no caso de peixes) e monitoramento de patógenos ainda mais rígido.
A intensificação produtiva demanda maior aporte de oxigênio dissolvido. A rede elétrica da fazenda suporta a instalação de novos aeradores? Geradores de emergência são capazes de manter a nova carga em caso de falhas no fornecimento de energia? A falta de oxigênio é fatal e pode dizimar o investimento em horas.
Gerir 10 hectares é diferente de gerir 50. A equipe atual consegue manter a rotina de biometrias, arraçoamento e monitoramento de parâmetros com a mesma eficiência? O treinamento técnico da equipe ou a contratação de um engenheiro de pesca residente pode ser necessária ao expandir a produção de peixe ou camarão.
A expansão física ou o aumento da intensidade produtiva muitas vezes exigem a atualização das licenças ambientais e outorgas de uso da água junto aos órgãos estaduais. Operar acima do permitido pode gerar multas severas e embargos, comprometendo toda a operação.
Muitos produtores investem todo o capital na construção de viveiros e esquecem do custeio (ração, energia, insumos) até a despesca. Por isso, o planejamento financeiro deve contemplar o capital de giro necessário para alimentar a biomassa adicional, pelo menos, até o momento da venda.
A segurança na cadeia de suprimentos é vital. Seus fornecedores atuais de ração e de formas jovens (pós-larvas ou alevinos) têm capacidade de entregar volumes maiores mantendo a qualidade e a genética? A dependência de um único fornecedor pode ser um risco estratégico.
Com o aumento da escala, o controle em planilhas ou cadernos de campo torna-se obsoleto e perigoso. Como os dados serão analisados em tempo real?
A utilização de um sistema de gerenciamento como o Despesca é crucial neste estágio. O software permite centralizar dados de conversão alimentar, custos por viveiro, curvas de crescimento e parâmetros de qualidade de água. Ao expandir a produção de peixe ou camarão, a tomada de decisão deve ser rápida e baseada em dados históricos e precisos, algo que o Despesca automatiza, permitindo que o produtor foque na estratégia e não apenas na operação manual.