

A piscicultura moderna exige precisão. Para o produtor que busca alta performance, a água não é apenas o meio onde o peixe vive; é o principal insumo de produção. O sucesso no cultivo de tilápias está diretamente ligado à capacidade de manter o ambiente aquático estável e seguro. Neste contexto, conhecer e monitorar os 10 parâmetros de qualidade da água mais importantes é o que diferencia uma produção amadora de uma profissional e lucrativa.
Muitas perdas econômicas poderiam ser evitadas se o monitoramento fosse realizado com rigor e constância. A seguir, são detalhados os indicadores que devem estar no radar de todo produtor.
A estabilidade do viveiro depende de um equilíbrio delicado. Alterações bruscas podem ser fatais ou comprometer o sistema imunológico dos peixes, abrindo portas para doenças.
A tilápia é um peixe tropical e seu metabolismo é regido pela temperatura. A faixa ideal situa-se entre 26°C e 30°C. Fora desses limites, o consumo de ração cai drasticamente e o crescimento é interrompido. No inverno, o manejo alimentar deve ser rigorosamente ajustado para evitar desperdícios e poluição do fundo.
Este é, indiscutivelmente, o parâmetro mais urgente. Níveis abaixo de 3 mg/L causam estresse severo e hipóxia. Para maximizar a conversão alimentar, o objetivo deve ser manter o OD acima de 4 ou 5 mg/L. A aeração mecânica deve ser dimensionada não apenas para emergências, mas para manter a homogeneidade do viveiro. Para saber mais sobre como otimizar este recurso, consulte nosso guia sobre aeração e renovação de água.
O pH ideal para a tilápia varia entre 6,5 e 8,5. Valores muito ácidos ou muito alcalinos causam danos às brânquias e à pele. Além disso, o pH influencia a toxicidade de outros compostos, como a amônia.
A amônia é o principal produto da excreção dos peixes. Ela existe em duas formas, e a forma não ionizada (NH3) é extremamente tóxica. O monitoramento deve ser diário em sistemas intensivos, pois picos de amônia podem causar mortalidade em massa em poucas horas.
Além dos parâmetros básicos, existem fatores que funcionam como o “sistema imunológico” da água, protegendo o cultivo contra variações bruscas.
O nitrito é um subproduto da decomposição da amônia. Quando absorvido pelos peixes, ele compete com o oxigênio no sangue, causando a “doença do sangue marrom”. É um assassino silencioso que deve ser mantido próximo a zero.
A alcalinidade atua como um tampão, impedindo grandes oscilações de pH entre o dia e a noite. Para a tilápia, recomenda-se manter a alcalinidade acima de 50 mg/L de CaCO3, sendo o ideal acima de 80 mg/L.
Refere-se à concentração de íons de cálcio e magnésio. Estes minerais são essenciais para a formação óssea e processos fisiológicos. Águas muito “moles” podem prejudicar o desenvolvimento dos alevinos.
A transparência, medida pelo Disco de Secchi, indica a quantidade de plâncton ou sólidos em suspensão. Uma transparência entre 30 e 40 cm é geralmente considerada ideal, indicando uma boa produção de alimento natural sem risco excessivo de depleção de oxigênio noturna. O excesso de matéria orgânica no fundo pode alterar essa turbidez, exigindo atenção ao manejo do fundo do viveiro.
Níveis elevados de CO2 livre (acima de 10-15 mg/L) podem anestesiar os peixes e dificultar a respiração, mesmo se houver oxigênio disponível. Isso ocorre frequentemente em águas com alta densidade de estocagem e pouca circulação.
Embora a tilápia seja de água doce, algumas linhagens suportam certa salinidade. A condutividade elétrica é um indicador indireto da fertilidade da água e da concentração de sais dissolvidos, devendo ser monitorada para evitar choques osmóticos.
Conhecer os 10 parâmetros de qualidade da água é apenas o primeiro passo. O desafio real reside na interpretação e no histórico desses dados. De nada adianta medir a amônia hoje se você não souber como ela se comportou na última semana. É aqui que a tecnologia se torna indispensável.
Utilizar um software de gestão como o Despesca permite que o produtor registre cada medição de forma organizada. O sistema transforma números isolados em gráficos de tendência, permitindo a visualização clara de problemas antes que eles se tornem críticos. Por exemplo, ao cruzar dados de alimentação com níveis de oxigênio, é possível ajustar o arraçoamento para melhorar a conversão alimentar e reduzir custos.
A piscicultura de precisão não permite “achismos”. Segundo pesquisadores renomados como Claude Boyd, a maior parte das doenças em peixes é secundária a problemas de qualidade de água. Portanto, investir no monitoramento e na gestão desses dados através de uma plataforma especializada não é um custo, mas um seguro para a sua safra.