A sanidade é um pilar fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento aquícola. No dinâmico setor da carcinicultura e piscicultura, a ocorrência de doenças em camarões e peixes pode gerar perdas significativas na produção, impactando diretamente a rentabilidade da sua fazenda. Dominar a prevenção de doenças em aquicultura, identificar os sinais precocemente e conhecer as opções de tratamento para doenças de peixes e camarões são conhecimentos indispensáveis para todo produtor que busca sustentabilidade e crescimento em sua atividade.
A máxima “prevenir é melhor que remediar” ganha uma importância ainda maior no contexto da aquicultura. Implementar medidas de biosseguridade rigorosas é a primeira linha de defesa contra a entrada e disseminação de patógenos. Isso inclui o controle de acesso aos viveiros, a desinfecção de equipamentos e instalações, a quarentena de novos animais e a escolha de pós-larvas de camarão de qualidade e alevinos de fornecedores confiáveis e certificados, como discutimos em posts anteriores. Além disso, o manejo da qualidade da água e a nutrição adequada dos animais, mantendo os parâmetros ideais de pH, oxigênio dissolvido e evitando picos de amônia e nitrito, fortalecem o sistema imunológico dos seus cultivos, tornando-os mais resistentes a doenças.
A identificação precoce de doenças em peixes e camarões é crucial para minimizar os impactos negativos. Produtores devem estar atentos a mudanças no comportamento dos animais, como redução do apetite, letargia, natação errática ou isolamento do grupo. Sinais físicos como manchas, lesões, alterações na coloração, deformidades e mortalidade acima do normal também servem como alertas importantes. A observação diária e a manutenção de um registro detalhado da saúde dos animais, inclusive com o auxílio de ferramentas de gestão como o Despesca, permitem detectar qualquer anormalidade e agir rapidamente.
No setor da carcinicultura, algumas doenças merecem atenção especial. A mancha branca, causada por um vírus, é uma das mais devastadoras, levando a altas taxas de mortalidade. A síndrome da mortalidade precoce (EMS) ou doença da septicemia hepatopancreática aguda (AHPND) também representa uma grande ameaça. Outras doenças bacterianas e fúngicas podem afetar os camarões, como as vibrioses e as micoses. Conhecer os sintomas específicos de cada uma dessas doenças é fundamental para um diagnóstico preciso.
Ao identificar uma doença, é fundamental agir com rapidez e de forma assertiva. O tratamento para doenças de camarões pode variar dependendo do agente causador e do estágio da infecção. Em alguns casos, medidas como a troca parcial ou total da água, o aumento da aeração e a aplicação de produtos específicos (sempre com orientação técnica) podem ser eficazes. Em situações mais graves, pode ser necessário isolar o viveiro afetado e até mesmo realizar o sacrifício sanitário dos animais para evitar a propagação da doença. A consulta com um veterinário ou técnico especializado em aquicultura é imprescindível para um diagnóstico correto e a definição do protocolo de tratamento mais adequado.
Manter um histórico detalhado da saúde dos seus viveiros, registrando qualquer ocorrência de doença, os tratamentos aplicados e os resultados obtidos, é uma prática valiosa. Esse histórico, aliado ao monitoramento contínuo dos parâmetros da água e do comportamento dos animais, permite identificar fatores de risco, ajustar as práticas de manejo e fortalecer as estratégias de prevenção, contribuindo para a sustentabilidade e a rentabilidade da sua produção de camarão.