

A despesca representa a culminação de meses de trabalho e investimento. No entanto, é nesta etapa final que a qualidade do produto pode ser irremediavelmente comprometida. Um manejo inadequado durante a colheita resulta em estresse para os animais, lesões físicas e, consequentemente, perdas econômicas significativas devido à depreciação do produto final. Portanto, adotar cuidados essenciais durante a despesca não é apenas uma boa prática, mas uma necessidade estratégica para qualquer produtor que almeja a excelência e a máxima rentabilidade.
A seguir, são detalhados 10 pontos críticos que devem ser rigorosamente observados para assegurar que o peixe ou camarão chegue ao consumidor com a qualidade superior que o mercado exige.
Antes de tudo, a despesca deve ser meticulosamente planejada. Isso envolve a definição da equipe necessária, a checagem de todos os equipamentos (redes, caixas, balanças, gelo), a logística de transporte e a comunicação com o comprador. Uma operação desorganizada é o primeiro passo para o fracasso, pois gera atrasos e aumenta o tempo de exposição dos animais a condições adversas. Consequentemente, um planejamento bem executado minimiza imprevistos e otimiza todo o processo.
É fundamental submeter os animais a um período de jejum antes da despesca. Para a maioria dos peixes, um período de 24 a 48 horas é o ideal. Este procedimento reduz a taxa metabólica dos animais, diminuindo o consumo de oxigênio e a produção de excretas durante o manejo. Além disso, o trato digestivo vazio evita a contaminação da carne durante a evisceração, um fator crucial para a segurança alimentar e a vida de prateleira do produto.
A despesca deve ser realizada, preferencialmente, nas horas mais frescas do dia, como no início da manhã. Temperaturas mais amenas reduzem o estresse térmico nos animais e, igualmente importante, retardam a proliferação de microrganismos. Realizar a colheita sob sol forte eleva a temperatura da água e dos próprios animais, acelerando o processo de deterioração pós-morte.
O momento que antecede a captura é de alta tensão para os animais. Portanto, qualquer movimentação deve ser feita de forma calma e gradual. Evitar ruídos excessivos e movimentos bruscos na água ajuda a manter os animais menos agitados. Um ambiente de cultivo com parâmetros de água estáveis, monitorados continuamente, também contribui para que os animais cheguem a este momento em melhores condições fisiológicas.
A escolha dos equipamentos de captura é determinante para a integridade física do pescado. Devem ser utilizadas redes de material liso e sem nós, que evitam a perda de escamas e a ocorrência de lesões na pele. Da mesma forma, os recipientes para transporte inicial (puçás, baldes) devem ser apropriados para não causar hematomas por impacto ou compressão.
A biossegurança não termina com o fim do ciclo de engorda. Pelo contrário, ela é intensificada na despesca. Todas as caixas, lonas, equipamentos e utensílios que entrarão em contato com o pescado devem ser previamente limpos e sanitizados. A equipe envolvida deve seguir boas práticas de higiene pessoal para evitar a contaminação cruzada. Este cuidado é um pilar para garantir um produto seguro e de alta qualidade. Para aprofundar, a leitura sobre Biossegurança na Aquicultura é altamente recomendada.
O método mais eficaz e recomendado para o abate de pescado é o choque térmico. Este processo consiste na imersão imediata dos animais em uma mistura de água e gelo (na proporção de 1:1) a uma temperatura próxima de 0°C. O choque térmico promove uma perda de consciência rápida, sendo considerado um método humanitário. Além disso, a baixa temperatura inicia o resfriamento do produto instantaneamente e retarda o rigor mortis, resultando em uma carne de textura mais firme e de melhor qualidade.
Após o abate, a manutenção da cadeia do frio é, sem dúvida, o fator mais crítico. O pescado deve ser mantido sob refrigeração contínua, em caixas isotérmicas com gelo de boa qualidade (feito com água potável), até a chegada ao seu destino final, seja um frigorífico ou o ponto de venda. Qualquer quebra nesta cadeia acelera a atividade enzimática e microbiana, comprometendo a qualidade de forma irreversível.
Logo após o abate e resfriamento inicial, o produto deve ser classificado por tamanho (biometria) e acondicionado nas caixas de transporte final. O pescado deve ser arrumado em camadas intercaladas com gelo, garantindo que toda a superfície esteja em contato com o frio. Este procedimento não só preserva a qualidade, mas também agrega valor ao produto, facilitando a comercialização.
Por fim, registrar todas as informações da despesca é vital. Dados como data, horário, lote, volume despescado, temperaturas de abate e transporte, e destino do produto são essenciais para a gestão da qualidade e para a rastreabilidade, uma exigência cada vez maior do mercado consumidor e de órgãos de fiscalização.
A utilização de um software de gestão, como o Despesca, automatiza e centraliza esses registros. Ter o controle preciso sobre cada etapa da despesca permite identificar pontos de melhoria, garantir a conformidade com as normas e, acima de tudo, comprovar a qualidade superior do seu produto, fortalecendo sua marca no mercado.